Aprenda a conversar com o seu filho, de acordo com cada idade

Conversar com o seu filho, da maneira correta, durante cada fase de vida é essencial e muito importante para o desenvolvimento do cérebro da criança.

De acordo com a especialista americana Dana Suskind, fundadora do projeto Trinta Milhões de Palavras (Thirty Million Words), pediatra e cirurgiã de bebês com problemas de surdez, as crianças que convivem em lares com diálogos variados, desenvolvem melhor a sua habilidade de se comunicar.

Ou seja, um alerta para os pais, familiares e amigos que sempre que avistam um bebê, usam aquela famosa “voz de criança” e costumam falar palavras erradas, na tentativa de “imitar” os pequenos. A verdade é que essa atitude, que inicialmente parece uma brincadeira, pode ser mais prejudicial do que você imagina.

Conversar com o seu filho é muito importante!

Você sabia que grande parte do desenvolvimento do cérebro do bebê acontece até os 4 anos de idade? Por isso é muito importante saber como estimular a criança a conversar, desenvolver a fala, pensamentos e novas conexões. Isso ajuda a desenvolver o cérebro.

Que vai de acordo com a proposta desenvolvida por Dana Suskind, na qual a criança chega a ouvir e tenta assimilar cerca de 30 milhões de palavras nos seus primeiros anos de vida.

Por isso ela se torna capaz da adaptação escolar e, consequentemente aprende um novo vocabulário, a colorir, brincar, jogar e a ler, por exemplo.

Como conversar com o seu filho de acordo com cada idade

Existem diversas habilidades importantes para o desenvolvimento das crianças, em todos os âmbitos. Desde o emocional até o cognitivo, passando pelo sensorial, motor e assim por diante. E tudo isso pode começar a ser trabalhado a partir do ato de conversar com o seu filho.

Entretanto, a narrativa deve ser diferenciada em cada uma das fases da sua vida. Veja:

De 0 a 1 ano de idade

Sempre que você for realizar alguma tarefa ou atividade com ele, narre! Aos poucos ele começará a entender o que está acontecendo e relacionando as palavras com a ação. Por exemplo: “vamos tirar a roupa para o banho”.

De 1 a 3 anos de idade

Nesta fase a conversa passa a ser sobre a rotina, o dia a dia, horários e programações para brincadeiras, compromissos, hora das refeições e assim por diante.

Fazer perguntas também é muito interessante para estimular o pensamento, instruir uma possível tomada de decisão e opiniões.

Alguns exemplos são: “Está na hora de dormir”; “Qual o seu brinquedo favorito?” ou “O que você mais gostou no almoço?”.

De 3 a 6 anos de idade

Está na hora de propor atividades! Com essa idade a criança já é capaz de tomar algumas decisões, usar da criatividade para imaginar personagens e desenvolver habilidades de interação.

É interessante propor jogos e brincadeiras, no qual a criança pode ser “o professor” e a mãe “a aluna”.

Imaginar um personagem favorito ou criar uma história para brincar também é outro exemplo.

De 6 a 8 anos de idade

Estimular a resposta, o pensamento e a memória é essencial nessa fase da vida da criança.

Para isso os pais devem pensar na forma com que conversam com eles, para conseguirem estabelecer um diálogo. Por exemplo, ao invés de perguntar se o dia na escola foi bom – pois a resposta pode ser apenas sim ou não -, questione sobre o que aconteceu no seu dia na escola – o que mais gostou e o que menos gostou.

Assim você conseguirá, não só conversar com o seu filho, mas também entender as suas necessidades, medos, alegrias e frustrações.

4 Dicas para conversar com o seu filho e tê-lo sempre por perto

Quando as crianças são mais novinhas e de certa forma dependem mais dos pais, é comum que elas queiram conversar e brincar. Mas, na medida com que vão crescendo, passar a frequentar a escola e ganham novos amigos, elas podem se fechar e não querer conversar tanto quanto antes.

Portanto, para que isso não aconteça, veja as melhores dicas para conversar com o seu filho e para estabelecer a confiança necessária para que ele esteja sempre por perto, queira dividir suas alegrias e frustrações:

  1. Estabeleça uma parceria

Entenda que o seu bebê é um parceiro de conversa! Mesmo se ele ainda não souber conversar, ele está ouvindo e aprendendo a reconhecer os tons da sua voz. Explique a ela tudo o que você está fazendo, desde trocar a fralda a sair para um passeio ou consulta médica. Lembre-se da dica da especialista e trabalhe o vocabulário para que o cérebro da criança se desenvolva melhor.

Na medida em que ela cresce e começa a compreender determinadas situações, continue a manter a conversa, cative esse hábito e desenvolva o sentimento de confiança. Assim, sempre que ela precisar e sentir a necessidade de conversar, saberá que tem os seus pais para poder falar sobre tudo!

  1. Ajude a desenvolver novas habilidades

Mesmo antes de começar a frequentar a escolinha, as crianças podem desenvolver certas habilidades como a de reconhecer determinadas cores, brinquedos e formas.

Elas podem não saber que a bola é um círculo, mas pode aprender que ela rola, se for chutada, empurrada ou jogada. Assim como nos brinquedos de apertar e emitir sons! O bebê é capaz de aprender e fazer associações simples.

Na medida que eles vão crescendo podem aprender a contar, dar nome as partes do corpo, aos brinquedos e as cores. Montar e desmontar brinquedos, colorir, recortar, colar e assim por diante. São habilidades a serem desenvolvidas em casa e nas escolas. Acompanhe e participe ativamente desse processo.

  1. Crie o hábito de elogiar os esforços

Essa é uma das dicas mais importantes para ter em mente na hora de conversar com o seu filho. Principalmente para o seu desenvolvimento psicológico! Portanto, lembre-se que não se trata apenas de reclamar ou xingar.

As crianças necessitam de reconhecimento e elogios para aprenderem aquilo que é certo. A linguagem negativa acaba por prejudicar o desenvolvimento cognitivo e isso pode fazer com que elas se tornem adultos problemáticos.

Lembre-se de reforçar os acertos, as conquistas e decisões acertadas. São exemplos disso: “parabéns, você conseguiu montar o brinquedo”; “estou orgulhosa de você por ter aprendido a amarrar o cadarço sozinho”; “muito bem, acabou de almoçar e escovou os dentes”. Gestos como estes fazem toda a diferença no desenvolvimento do cérebro de uma criança.

  1. Estimule o senso de responsabilidade e autoestima

Ao invés de tomar uma posição de autoritarismo dentro de casa, desenvolva as noções de responsabilidade das crianças. É claro que ela precisa saber que os pais são figuras de respeito. Mas não é necessário impor ordens para que elas aprendam a fazer determinadas ações.

Por exemplo, ao invés de dizer “arrume essa bagunça agora!”, substitua por “o que devemos fazer com os brinquedos depois de terminar de brincar?”.

Outro exemplo é com relação à autoestima das crianças, sempre que ela se arrumar ou escolher uma roupa, faça um elogio. Reforce o quanto a criança é bonita, inteligente, esperta! Assim como os adultos, elas também têm e precisam desenvolver a sua autoestima e confiança! Não apenas o elogio das atividades desenvolvidas, mas também no âmbito pessoal e sentimental.

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